Pubicado em: ter, jan 3rd, 2017

Vanderlice a única prefeita em Palestina desde 1938

 

COMUNISTA DE CORAÇÃO, MAS FILIADA AO MDB, ANTAGÔNICO AO PARTIDO DE SEU PAI DOMINGOS, ELA VENCEU AS TRÊS CHAPAS OPONENTES DA ARENA, EM 1972, E AINDA FIGURA NA GALERIA DE PREFEITOS DE PALESTINA COMO A ÚNICA MULHER A GOVERNAR MUNICÍPIO.          

 

Foto original em preto e branco da época de prefeita

 

Em toda sua história político-administrativa, Palestina teve apenas uma prefeita eleita nas urnas. Nos 18 mandatos executivos desde 1938, Vanderlice Vieira Jayme, jovem, 22 anos de idade e solteira, governou o município de janeiro de 1973 a 31 de dezembro de 1977. Foi eleita em 15 de novembro de 1972, e segundo políticos locais consultados pelo Jornal da Região, foi uma excelente prefeita, e deixou saudades por ter focado sua gestão em obras de concreto, mas, principalmente, sociais. Apesar de sua família ser tradicional de Palestina, Vanderlice nasceu em Indiaporã, e que mudou-se para Palestina com dois anos de idade. Aqui estudou na escola Bento Ferraz, e se formou em Educação Física em São Carlos.

 

CASAMENTO

Casou-se no último mês de seu mandato, em dezembro de 1976, com João Otávio D’Agnoni de Melo, e mudou-se para São Carlos, onde o marido entrou para a vida pública e também foi prefeito (por dois mandatos). Eles, que conheceram no período universitário naquela cidade, e lá, constituíram família. Vanderlice é mãe de dois filhos e uma filha, que está nos preparativos de seu casamento para o início no próximo ano.

 

COMUNISTA

“Fui eleita com 22 anos de idade em meio a um bipartidarismo tremendo”, disse Vanderlice à nossa reportagem, por telefone, no final desta semana.

Ela era adepta do ‘Partidão’, o PC (Partido Comunista), mas sem que o pai soubesse, era mesmo filiada em uma sigla contrária a do pai dela: O MDB (Movimento Democrático Brasileiro), que com muito senso de humor, diz que tratava a sigla de “Mulher, Dinheiro e Brahma”. Seu pai, o tradicional palestinense Dominguinhos, que gozava, segundo ela, de elevado pres- tígio político na cidade, era uma das lideranças da ARE- NA (Aliança Renovadora Na- cional), que em Palestina se di- vidiu em três facções:

Arena 1, 2 e 3, na época da ditadura militar.

“Meu pai havia sido vereador por três mandatos, também presidente da Câmara e vice-prefeito. Era a hora e vez de ele sair na cabeça como candidato a prefeito. “Porém lembra Vanderlice, foi traído e me deu todo o apoio necessário para encarar três lideranças políticas dos três respectivos grupos da Arena 1, 2 e 3.

Venci, mas com o absoluto prestígio e ‘sombra’ de meu pai”, admite a única prefeita eleita por voto popular no município.

 

Matéria de Serginho Roncolato, publicado no Jornal da Região em Dezembro de 2010. (clique aqui para ler o jornal na integra

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